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Seria a adaptação uma qualidade realmente importante para acrescer a vida útil e a eficiência de uma edificação ao longo do tempo, considerando as mudanças e demandas da sociedade, bem como as tecnologias e os estilos de vida?

Edifícios adaptáveis possuem a capacidade de acomodar um conjunto de demandas em evolução relacionadas ao espaço, função e componentes, sem que seja tecnicamente inviável ou ineficiente em termos de custos. O grupo de pesquisas Adaptable Futures, da Loughborough University, tem o enfoque em estudos sobre a adaptabilidade e a longevidade das edificações, em torno da questão: “Por que certos edifícios duram centenas de anos e outros meras décadas?”. Os pesquisadores abordam a adaptabilidade em detalhes, olhando para a complexa teia de dependências que induzem, impedem e acomodam mudanças. O trabalho inclui projetar para adaptabilidade, flexibilidade e reutilização adaptativa de nosso estoque de edifícios e espaços urbanos.

A reutilização de uma edificação preexistente para novos usos ficou conhecido como reuso adaptativo. A prática vem sendo muito adotada nos últimos anos como estratégia para lidar com os espaços de forma mais econômica, sustentável, prática e eficiente. Como o reuso adaptativo evita gastos com demolições e novas construções, se apresenta como uma solução capaz de atender demandas urgentes, como para usos sociais, culturais e de habitação. Além de ser uma escolha econômica, realizar uma intervenção desse gênero é também uma escolha pela preservação da memória e do tecido urbano e social já presente. A transformação de locais com potencial oferece ganhos que vão além de resultados físicos: preservam a memória através das diferentes camadas de tempo que podem coexistir no mesmo lugar.

De fato, essa é uma preocupação coerente, uma vez que o mundo enfrenta uma crise ecológica e climática, bem como a escassez de recursos naturais. Áreas urbanas têm enfrentado problemas com o seu vasto estoque construído, relacionado ao mau uso dos edifícios e o alto consumo de energia dos imóveis atuais. Para resolver, muitas demolições e reconstruções são realizadas, mesmo em edificações perfeitamente sólidas estruturalmente, gerando quantidades enormes de resíduos, que poucas vezes acabam reutilizados ou reciclados.

“O edifício mais sustentável é aquele que já está construído”. É uma frase do arquiteto Carl Elefante presente neste artigo feito em colaboração com os leitores do site. Ali são levantadas algumas inquietações em relação à real função da arquitetura em um mundo que muda tanto. Os espaços deveriam ser neutros, como grandes galpões que recebessem qualquer uso? Os mobiliários e elementos flexíveis devem assumir protagonismo para organizar os espaços da melhor forma para determinados propósitos? Um exemplo ainda vivo foi a pandemia de COVID-19, onde a residência precisou assumir múltiplas funções, como trabalho, lazer, estudo, esporte, etc. Além disso, a disseminação do vírus trouxe uma preocupação extra em relação à qualidade do ar interno e de tecnologias antimicróbicos que antes eram exclusivas aos espaços de saúde.

Nesta linha, já existem no mercado diversas opções de produtos que permitem qualificar facilmente um espaço aberto em usos compartimentados mais adequados às demandas programáticas. As paredes de dry-wall logo vêm à mente, permitindo criar partições com isolamento térmico e acústico em poucas horas, facilmente desmontáveis e recicláveis. Há também soluções ainda mais leves. Placo® Modulo consiste em divisórias leves, móveis ou fixas, que permitem suprir novas necessidades e novas formas de trabalhar. Destinado principalmente ao mercado terciário, o produto oferece grande versatilidade e permite criar ou rearranjar um espaço, separar salas, delimitar uma zona de circulação, modular um lugar, através de painéis opacos ou translúcidos, com acabamentos sóbrios. Quando há a necessidade de manter a transparência dos espaços, mas criar privacidade quando necessário, já há produtos que permitem esse controle. Priva-Lite®, por exemplo, é um vidro inteligente que muda instantaneamente de transparente para translúcido através do acionamento de um interruptor.

De fato, atenção especial deve ser dada aos interiores dos projetos. Ao todo, 90% do nosso tempo é ocupado em interiores. É essencial garantir uma qualidade ambiental interna confortável, produtiva e saudável, seguindo parâmetros e práticas de projeto bem regulados que considerem temperatura, iluminação, poluição sonora, ventilação adequada e a qualidade do ar que respiramos. Este último é especialmente importante, pois, ao contrário do que podemos pensar, a poluição do ar é muito maior no interior do que no exterior. Novelio® Classic CleanAir consiste em uma gama de revestimentos de parecdes em fibra de vidro pintáveis que melhoram a qualidade do ar dos espaços removendo o formaldeído. Este componente orgânico – liberados principalmente por móveis laminados, pisos novos e algumas tintas ou colas – fica preso no papel de parede e não é liberado no ar, e o princípio permanece ativo mesmo após várias demãos de tinta. Além disso, são revestimentos resistentes ao impacto e ao fogo, duráveis e decorativos.

Além destes citados, diversos outros produtos e tecnologias têm sido desenvolvidas para aumentar a flexibilidade dos espaços e edifícios, ao mesmo tempo que mantêm a qualidade, a durabilidade e a segurança. Os edifícios precisam ser adaptáveis e devem facilmente permitir que eles acomodem as mudanças, mas também é imprescindível considerar os componentes em seus interiores para que melhorem a qualidade de vida nos interiores, além de poupar valiosos recursos naturais e econômicos.

Fonte: Archdaily Brasil